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Reposição Hídrica
A quantidade de água eliminada
pelo suor depende da intensidade de atividade física realizada
assim como da temperatura e umidade ambiental. A defesa mais eficaz
contra o aquecimento é a hidratação adequada, alcançada pelo equilíbrio
entre consumo e perda de água (McArdle W. D., Katch F. I.; 1990).
Os principais fatores limitantes durante o exercício intenso e
prolongado são a diminuição dos estoques de carboidratos juntamente
com a queda da glicemia, e a desidratação (Costill, 1988.; Lamb
& Brodowics, 1986).
Para se manter um nível adequado de hidratação em pessoas que
praticam atividades físicas é necessário que ocorra uma ingestão
de quantidades suficientes de líquidos antes, durante e depois
dos exercícios, o que atenua os efeitos prejudiciais da desidratação
sobre a dinâmica cardiovascular, a regulação da temperatura e
a realização dos exercícios (Maughan R. J., 1991) e ( McArdle
W. D. et al: 1998).
Quando o organismo está com níveis adequados de água, dizemos
que ele está num estado de euhidratação (normohidratado). A hipohidratação
se caracteriza como uma situação na qual o organismo apresenta
uma redução do conteúdo de fluidos do corpo, e a hiperhidratação
se caracteriza por um volume de água no corpo acima do normal.
O termo desidratação define uma redução mais ou menos rápida da
água corporal, levando o organismo de um estado de euhidratado
para hipohidratado. A redistribuição de água entre os espaços
intra e extracelulares é dependente do gradiente osmótico. A membrana
celular é totalmente permeável à água, porém seletiva para vários
solutos. Assim, qualquer alteração da osmolalidade causa redistribuição
de água a partir destes espaços. No estado hipoidratado, por exemplo,
a osmolalidade do plasma aumenta em até 300 mosmol/kg, devido
à maior concentração relativa de sódio, potássio e cloreto em
relação ao estado euidratado.(Costill & Wilmore, 2001). A
redistribuição de água entre os espaços intra e extra-celulares
é dependente do gradiente osmótico.
A diferença de peso corporal antes e depois do exercício poderia
ser utilizada para indicar a perda de água durante o exercício
e a reidratação necessária para o exercício subseqüente. Outro
método não invasivo, e bastante utilizado, é a coloração da urina.
(Tabela 1)(McArdle W. D., Katch F. I.: 1990; Machado-Moreira et
al, 2006 ).
Tabela 1. Índices
do estado de hidratação e sua relação com a urina
| Estado de Hidratação |
% variação peso
corporal |
Coloração da Urina |
Euhidratado |
+1 a -1
|
Amarelo claro a amarelo
citrino |
|
Desidratação mínima
|
-1 a -3
|
Amarelo citrino a amarelo
âmbar
|
|
Desidratação significativa
|
-3 a -5
|
Amarelo âmbar a acastanhado
|
|
Desidratação
grave
|
>
-5
|
Acastanhado
a amarronzado |
O objetivo primário da ingestão
de bebidas durante o exercício prolongado é fornecer substrato
para o trabalho muscular e água para evitar os efeitos da desidratação.
O suprimento de eletrólitos para repor as perdas pelo suor não
é usualmente prioritário durante esse tipo de esforço, sendo
que, quando adicionados em altas concentrações, poderão surtir
efeitos negativos no rendimento. Apesar da ingestão de água
ser considerada efetiva durante os esforços de endurance, a
adição de açúcares e eletrólitos podem trazer benefícios adicionais
para o atleta (Lamb & Willians, 1991) por preservarem à
concentração de açúcar no sangue. Este poderá ser usado a seguir
pelos músculos ativos seja para preservar (poupar) o glicogênio
muscular, seja para funcionar como glicose de reserva a ser
utilizada subsequentemente se o glicogênio muscular for depletado.
A concentração de carboidratos de uma bebida hidreeletrolítica
depende de circunstâncias individuais. Concentrações elevadas
de carboidrato retardam o esvaziamento gástrico, reduzindo a
quantidade de líquidos disponível para a absorção; mas, em compensação,
aumentam a taxa de oferta desse nutriente. Isso porém, gera
o risco de desidratação e também pode causar distúrbios gastrintestinais.
Após a ingestão de líquidos, o esvaziamento gástrico é considerado
o primeiro fator limitante para tornar o líquido ingerido disponível
na circulação. O estômago tem a função de um reservatório na
qual não ocorre nenhuma absorção significante e de onde o líquido
deve ser esvaziado para o intestino. O esvaziamento gástrico
é controlado por vários fatores, como: intensidade e tipo de
exercício, volume ingerido, densidade energética, osmolalidade,
temperatura e tipo de carboidrato contido na solução.
É fato que quando a concentração de glicogênio muscular ou de
glicose sanguínea diminui durante o exercício prolongado, a
intensidade do esforço obrigatoriamente tem que ser reduzida
ou o exercício tem que ser interrompido (Lamb & Willians,
1991). Sabidamente os carboidratos da dieta têm influência significativa
nas suas reservas corporais (glicogênio muscular e hepático),
fato que tem estimulado uma série de experimentos com manipulação
nutricional, com a finalidade de otimizar os estoques de carboidrato
corporal e aumentar a capacidade de treinamento, assim como
a performance durante o esforço.
A osmolidade é a relação entre o total de partículas livres
(ionizáveis) por mililitro de solução, sendo representada prioritariamente
pelo sódio nas bebidas esportivas. Essa variável nos líquidos
é importante, já que pode influenciar tanto no esvaziamento
gástrico quanto na absorção intestinal. Ambos os processos são
determinantes da efetividade de reidratação de líquidos e da
oxidação de substratos. O principal fator determinante da média
do esvaziamento gástrico é a concentração calórica da solução
ingerida, sendo que os diferentes tipos de carboidratos têm
pequena participação nesse processo (Brener et al., 1983; Owen
et al., 1986) Contudo, a média de reposição de líquidos é dependente
não apenas da velocidade média pela qual a solução é esvaziada
do estômago, mas, também, pela velocidade com que essa substância
é absorvida pelo intestino (Davis et al., 1990). Desta forma,
é necessário considerar esses dois processos quando se investiga
a capacidade de reposição de líquidos por meio de diferentes
bebidas. Assim, um pequeno atraso no esvaziamento gástrico quando
se ingere uma solução contendo carboidratos e eletrólitos é
compensado pelo aumento da absorção intestinal da água resultante
do efeito estimulatório da presença da glicose e do sódio (Malawer
et al., 1965).
A formulação ideal de bebidas a serem utilizadas durante o esforço
físico permanece ainda uma questão a ser respondida, porém,
até o momento, bebidas com concentrações de carboidratos maiores
do que 2,5% e menores ou iguais a 10% não irão comprometer a
reposição de fluidos corporais. Dentro dessa idéia, bebidas
contendo uma concentração maior de carboidrato podem fornecer
vantagens adicionais durante o exercício prolongado. (Davis
et al., 1990).
Em um estudo feito por Coyle & Montain (1992), com ciclistas
exercitados (temperatura ambiente de 30ºC, umidade relativa
do ar de 50%, intensidade média de 62-67 % do VO2 máx., por
um tempo de 2 horas), em diferentes situações de ingestão de
líquidos (nenhum tipo de bebida; apenas 300mL/h; quantidade
moderada de bebida - 700mL/h); e grandes quantidades de líquidos
- 1,2 L/h) demonstrou que ocorreu uma diminuição gradativa da
temperatura corporal central, do batimento cardíaco, e da percepção
do esforço, conforme a ingestão de líquidos aumentava. Concomitantemente
a isso, a média percentual de desidratação se mostrou inversamente
proporcional à ingestão de quantidades crescentes de líquidos:
3%, 2% e 1%, respectivamente. A bebida esportiva ingerida continha
6% de carboidratos e baixa concentração de eletrólitos, sendo
que os volumes ingeridos repunham aproximadamente 20, 50 e 80%
da perda de líquidos durante as 2 horas de ciclismo. Assim,
esses autores concluíram que a magnitude do aumento natural
da desidratação após o ciclismo foi o principal fator associado
com a hipertermia e o estresse cardiovascular.
É consenso que a desidratação e a diminuição dos estoques corporais
de carboidratos são fatores limitantes para a realização de
esforços físicos intensos e prolongados, dessa maneira, a formulação
de bebidas contendo carboidratos e eletrólitos, assim como,
a recomendação de ingestão (volume e o tempo de ingestão) vêm
sendo extensamente estudados; e são específicas para cada indivíduo,
pois a reposição hídrica, em conjunto com a oferta de nutrientes
e eletrólitos, podem funcionar como um importante recurso ergogênico,
já que a depleção de substratos energéticos (glicogênio muscular
e hepático), o acúmulo de metabólitos (lactato e íons H+) e
o prejuízo dos processos de termorregulação estão intimamente
ligados à diminuição do desempenho. Assim a importância de consultar
um nutricionista que faça a adequação da ingestão de nutrientes
e eletrólitos para melhoria do desempenho físico.
Recomendações práticas
• Monitorar o ritmo de desidratação
através de mudanças observadas no peso corporal. Cada 453,59
gramas de perda de peso correspondem a 450 ml de desidratação.
• Beber líquidos no mesmo ritmo em que eles estão sendo depletados
(ou, pelo menos, beber em um ritmo de 80% da taxa de transpiração)
durante um exercício prolongado no qual existe estresse cardiovascular,
calor excessivo e desidratação.
• O atleta de endurance consegue atender as necessidades tanto
de carboidratos (30 a 60 gramas por hora) quanto de líquidos
bebendo entre 625 e 1250 ml de uma bebida contendo 4 a 85 de
carboidratos a cada hora (McArdle W. D. et al; 1998).
• Um volume de cerca de 250 ml ingeridos a cada 10 a 15 minutos
de intervalo é provavelmente uma conduta satisfatória, pois
maiores volumes tenderiam a produzir a sensação de “estômago
cheio” ( McArdle W. D. et al: 1998).
Elissa Amaral da Cunha
CRN3 2381/08 SP
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