| Perdas Hídricas
A água representa cerca de 60 a 70% do peso corporal e é um nutriente de fundamental importância para a sobrevivência. A água no corpo está distribuída principalmente em dois compartimentos: Líquido intracelular e líquido extracelular. O extracelular é dividido ainda em líquido plasmático (porção fluída do sangue) e líquido intersticial (fluído não entorno das células). Com o exercício ocorre elevação da temperatura corporal, devido ao ganho de calor vindo do ambiente associado à produção de calor do organismo durante a atividade. Nesse momento há perdas de líquidos do organismo, e, se não houver reposição do líquido perdido pelo suor, há desidratação, que afeta a força e/ou a resistencia muscular, a capacidade cardiorrespiratória e aumenta o risco de cãibras e hipertermia (temperatura do corpo elevada, relacionada à incapacidade do corpo de promover a perda de calor ou reduzir a produção de calor), e, conseqüentemente compromete o desempenho.(McArdle, 2001).
O consumo adequado de líquidos antes, durante e depois da atividade física é uma pratica nutricional de fundamental importância para maximizar o desempenho e proteger a saúde e o bem estar do atleta. (Guerra, Biesek, Alves, 2005).
Sabidamente, a evaporação constitui o principal fator capaz de levar o corpo humano a uma perda eficiente de calor, dessa forma, o calor é transferido continuamente para o meio ambiente à medida que a água é vaporizada a partir das vias respiratórias e da superfície da pele. Quando em ambientes com temperaturas elevadas, a perda de calor pelos processos de condução, convecção, e irradiação está comprometida (McArdle, 1996). Assim, o único mecanismo de perda de calor, além da pequena contribuição da evaporação da água pelo sistema respiratório, é a evaporação através do suor na pele, fato esse que gera uma grande perda de água corporal.
A taxa de suor dos indivíduos varia muito devido a diferentes fatores que a influenciam e pode ser expressa em mililitros por hora. A média dos indivíduos fica por volta de 1,5 litros/h, e está amplamente relacionada com a intensidade e duração do esforço (Brooks & Fahey, 1984).Normalmente, mulheres tendem a suar menos que homens, estando em condições padronizadas mesmo após um período de aclimatação, e a taxa de suor diminui com o avanço da idade.
O suor é composto principalmente de água e quantidades significativas de eletrólitos. A maior concentração de íons presente no suor é atribuída ao Na+ (sódio) e CL-(cloro), e correspondem a cerca de um terço ou a metade daquelas encontradas no plasma, ao contrário do K+ (potássio) e Mg2+ (magnésio) que se encontram em quantidades menores no suor. Dessa maneira, uma taxa de suor elevada, devido ao aumento da intensidade e duração do esforço, combinado, ainda, com uma temperatura ambiente e umidade relativa do ar alta, irá depletar os depósitos totais de Na+ e CL- numa extensão muito maior do que qualquer outro eletrólito (Wolinsky & Hickson, 1996).
Esta situação gera um quadro de “conflito fisiológico”, uma vez que durante o exercício, na tentativa de atender às demandas metabólicas do músculo ativo, o fluxo sanguíneo é desviado para o tecido muscular, ao mesmo tempo, no entanto, parte desse fluxo deverá ser direcionada para os tecidos periféricos para aumentar a perda de calor para o meio ambiente e evitar o aumento da temperatura corporal central. Assim, o fluxo total gerado é atendido pelo aumento do débito cardíaco (volume de sangue sendo bombeado pelo coração em um minuto). Com o aumento da intensidade e duração do esforço associado a um aumento na taxa de suor (perda de água do corpo), o débito cardíaco passa a não dar mais conta da perfusão exigida pelo músculo e pelos processos de regulação térmica. O atleta se vê, então, obrigado a diminuir ou interromper o esforço devido a uma falha em seu sistema de fornecimento de oxigênio para o trabalho muscular, e o seu sistema de refrigeração corporal. Por isso a ingestão de líquidos é de fundamental importância durante esforços intensos e prolongados principalmente em ambiente quente, e que a reposição hídrica é capaz de afetar significantemente a performance de atletas de endurance (Nadel, 1980).
A água comporta enormes qualidades de estabilização térmica, pois consegue absorver uma quantidade considerável de calor com uma pequena mudança na temperatura. O exercício clima quente, existe uma grande preocupação com a desidratação, e redução no volume plasmático com a hemoconcentração resultante, a deterioração no desempenho físico e na capacidade de termorregulação e o maior risco de lesão térmica.
Em certas condições do exercício, a ingestão excessiva de líquido pode ser contraproducente e resultar na condição de hiponatremia ou “intoxicação pela água”, com sintomas como cefaléia, mal-estar, náuseas, cãibras e até mesmo a morte. Para que ocorra hiponatremia é necessária uma grande perda de sódio através da transpiração prolongada juntamente com a diminuição do sódio extracelular preexistente( e a inerente redução da osmolaridade) através da ingestão de líquidos, especialmente líquidos que contenham pouco ou nenhum sódio. É igualmente possível que a ingestão freqüente de grandes volumes de água comum acarrete o deslocamento do sódio do compartimento liquido extracelular para a água intestinal não absorvida. Isso dilui ainda mais a concentração sérica de sódio. Para reduzir o risco de hiponatremia no exercício prolongado recomenda-se evitar a superhidratação, tanto antes, durante ou após o exercício, e incluir algum sódio no liquido ingerido.(Mcardle,Katch,1996)
No próximo artigo falaremos de reposição hídrica!
Elissa Amaral da Cunha
CRN3 2381/08 SP
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