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Confira aqui diariamente a etapa aberta
do Tour de France diretamente da França com os professores
Márcio Padilha e Simão Addad.
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O
Létape du tour é uma etapa aberta do Tour de France que
acontece todos os anos na França durante o maior campeonato
de ciclismo do mundo.
Nessa etapa, 8.500 ciclistas percorrem, a cada ano, um
trajeto diferente do Tour de France. Nesse ano de 2008,
o trajeto será o Pau a Hautacam, com 175 km, onde os ciclistas
terão dois grandes desafios: a montanha Cul de Tourmalet,
com 40 km e um desnível de 2.115 metros de altitude, e
o Hautacam, com 1.520 metros de altitude.
Neste ano, dois professores de cycling indoor do Brasil
participarão dessa competição: o professor Márcio Padilha,
de Brasília, e o professor Simão Addad, de Goiânia. |
Márcio
Padilha |
Acompanhe, de 3 a 6 de julho, pelo nosso site, o relato
da aventura desses dois profissionais e do que acontece
na maior competição de ciclismo do mundo. |
Simão
Addad |

30/06/2008
- Malas
prontas para o embarque!
"Não
foi fácil arrumar tudo: roupas de pedal, sapatilhas,
capacete, suplementos e toda a parafernália necessária
para a realização dessa jornada. Só podemos levar duas
bagagens, e, graças ao grande amigo Gilson, que me emprestou
o case para o transporte da bicicleta, foi possível
acomodar roupas e acessórios perfeitamente.
Eu e o Simão nos encontraremos amanhã, dia 01 de julho,
no aeroporto de Guarulhos e a expectativa é muito grande.
O vôo partirá às 16:30 para Paris, onde faremos uma
conexão para uma cidade chamada Toulouse. Ao total serão
13 horas e meia de vôo.
Em Toulouse, pegaremos um transfer até a cidade em que
iremos ficar: Argelés-Sur-Gazost, que fica a 185 quilômetros
de distância. A previsão de chegada é para o dia 02,
quarta-feira, às 16:00.
Para descansarmos de tantas horas de viagem, logo em
seguida sairemos para o primeiro treino leve para soltarmos
as pernas.
Abraço e até lá."
Márcio
Padilha
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Clique
na foto para ver mais! |
01/07/2008
e 02/07/2008 - Ansiedade
de Brasília a França
"Chegando
em Guarulhos me encontrei com o Simão na fila do embarque
e logo em seguida com o grupo de ciclistas que irão participar
conosco dessa aventura.
Conheci o organizador do Grupo Brasil (Cleber Anderson) enquanto
estava na fila da Receita Federal para declarar os bens que
estamos levando - a bicicleta principalmente.
O vôo para Paris foi perfeito. Muito papo de pedal, é claro.
A ansiedade era tão grande que não conseguimos dormir direito.
Ficamos conversando entre a equipe sobre a etapa do tour, como
será a subida , a descida, os pontos de apoio e tudo relacionado
à prova.
Chegando
em Toulouse, só para aumentar a emoção, nem minha mala nem minha
bike chegaram. Estou até agora sem notícias.
Fomos
para Argeles de transfer, com uma parada rápida para almoço
no meio do caminho, onde o visual é fantástico, as montanhas
são inacreditáveis de tão altas. Vimos um pouco do que vamos
passar.
Assim que chegamos, os mecânicos iniciaram a montagem das bikes,
e o grupo saiu para um pedal de reconhecimento da área e soltar
as pernas, após 30 horas de viagem. Claro que eu fiquei no hotel
porque estou sem bike e o grande amigo Simão fez a parceria.
Fomos ao supermercado comprar os suprimentos que vamos utilizar
durante nossa estada em Argeles.
O jantar foi muito legal, toda a equipe reunida - ao todo 32
pessoas - , com direito a vinho nacional (hahahaha) à vontade
e um super cardápio com entrada de salada, prato quente, prato
principal e sobremesa. Logo após, Cleber Anderson e Pedro Henrique
comandaram o briefing sobre o pedal de 120 quilômetros, quando
vamos reconhecer o Hautacam e começar a suar de verdade - e
eu rezando pra minha bike chegar amanhã.
Agora já passou da hora de dormir e descansar para acertarmos
o fuso horário.
Boa noite galera, até amanha."
Márcio Padilha e Simão Addad
03/07/2008
- Frio que castiga os valentes
"Na
quinta-feira, dia 03 de julho, acordamos e, logo cedo,
fizemos a foto oficial do evento que em breve estará
nas principais revistas de ciclismo do Brasil.
Estávamos na expectativa da chegada das malas do Márcio
- o que não ocorreu, deixando-o muito frustrado, pois
hoje seria o dia que faríamos giro no plano de aproximadamente
80 quilômetros e o reconhecimento do Haucatam logo em
seguida.
Como tínhamos duas vans para o apoio, o grupo foi dividido
em dois níveis: a galera que queria pedalar mais forte
e a que queria apenas girar tranqüilo.
Eu estava louco para pedalar forte, mas minha velha
mania de tirar foto de tudo e de todos não me permitiu
isso. Quando percebi, estava muito distante do pelotão
do primeiro grupo, em que a galera de Paraíba estava
comandando e acelerando forte - foram os primeiros a
retornar para o hotel, evitando o frio que castigava
os mais valentes.
O percurso selecionado pelo Cléber Anderson foi fenomenal:
um visual indescritível, apenas vivenciando in loco
para se ter uma noção de tão maravilhoso.
Quando os dois grupos se encontraram, ficou definido
quem retornaria para o hotel e quem subiria para o Haucatam.
Neste momento, já com aproximadamente 60 quilômetros
percorridos, o frio tomava conta do grupo.
Nosso amigo Léo, representante de Paraisópolis – MG,
sempre com suas tiradas engraçadas divertiu o grupo
do inicio ao fim do pedal. Sem dúvida ele é o animador
da galera, o legítimo “mineirinho”.
Ao iniciarmos a subida do Hautacam éramos 8 pessoas,
a subida era de 13 quilômetros, e a cada km havia uma
placa indicando o percentual de inclinação do terreno.
A expectativa era tamanha, que a cada km percorrido
esse percentual aumentava, chegando a 10 %. Nos últimos
5 km começaram a neblina e a chuva. A sensação térmica
já estava insuportável, mas conseguimos retornar ao
hotel - congelados após a descida do Hautacam."
Simão
Addad
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Equipe Brasileira |
Hautacam
Clique
na foto para ver mais! |
"Galera,
A Air France ainda não encontrou minhas bagagens e não
faz nenhum esforço para dar uma posição concreta de
onde estejam; então, já que temos este espaço para falar,
vamos falar e fazer.
O que me pergunto é: como uma empresa que se considera
sólida e respeitada no mercado deixa isso acontecer
e ainda não tem um serviço de assistência para os clientes
que passam por essa constrangedora situação?
Se você tiver a oportunidade de viajar para fora do
Brasil, NÃO VÁ DE AIR FRANCE, porque pode passar por
essa situação e ficar de mãos abanando, sem nenhum retorno
nem assistência. MOVIMENTO “NO AIR FRANCE”.
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"o
jeito é alugar uma bike"
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O
jeito foi fazer o passeio a Lourdes, uma cidadezinha pequena
que recebe milhares de visitantes buscando a sua fé de
diversas maneiras. O passeio foi legal e até me acalmou,
mas não teve jeito, já estou estressado com a situação
e resolvi alugar uma bike para poder pedalar um pouco
amanhã, antes da prova no domingo.
Amanhã, inlcusive, será um dia cheio: vamos pedalar pela
manhã e à tarde vamos retirar o kit na Super Feira de
Bike que a organização do Tour de France promove. Não
quero nem ver as compras, vou ter que segurar o Simão,
já deu um certo trabalho no Free Shop. Hahaha...
Abraço e até amanhã com ótimas notícias."
Márcio padilha
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04/07/2008
- Pedalada indescritível
O
dia amanheceu perfeito: sem uma nuvem no céu, o sol estava radiante
e o visual da sacada do hotel era o mais bonito já visto. Acordamos
na expectativa de que as minhas malas iriam chegar pela manhã,
mas logo após ligar para a Air france recebi a notícia de que
não foi confirmado pelo aeroporto de Toulouse que as malas estavam
lá. Tive então que me conformar que elas não iriam aparecer
tão cedo.
O jeito foi comprar os equipamentos e alugar uma bike para poder
fazer a subida de reconhecimento ao Hautacam, pois desde que
cheguei à França não tinha pedalado nada.
Fiz sozinho o desafio de 16 quilômetros de subida porque o Simão
e o restante do grupo já haviam feito ontem e hoje optaram por
um pedal bem tranqüilo pela cidade.
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Não
sabia direito o que esperar da subida ao Hautacam, pois
estava ainda enferrujado da viagem e do estresse da bagagem
que ainda não tinha chegado.
Já nos primeiros quilômetros, cruzava com muitos ciclistas
descendo a montanha e com uma expressão de satisfação
impagável por ter vencido o desafio da subida. |
Cada quilômetro percorrido era uma vitória e a cada momento
o visual da cidade de Argelés ficava mais bonito - como o Simão
falou ontem, só estando presente para descrever tanta emoção.
O visual, o esforço, a conquista, a satisfação, o poder de pedalar
pelas montanhas da França, realmente não têm preço.
Na descida pude entender perfeitamente a cara de satisfação
dos ciclistas - é realmente indescritível.
Para minha surpresa, quando cheguei ao hotel minhas bagagens
estavam lá. Nem acreditei! Nunca pensei que fosse ficar tão
feliz em olhar para minhas malas, mal acreditava que elas estavam
ali no meu quarto. hahahaha...
À tarde fomos retirar os kits na grande feira do Tour de France.
Fomos os primeiros a chegar ao local, o sonho de consumo dos
ciclistas do mundo inteiro, as melhores marcas, as melhores
bikes, roupas, tudo relacionado ao ciclismo. Não preciso nem
comentar o estrago feito pelo grupo, ficamos mais de 6 horas
nas compras.
Para variar, o Simão deu trabalho, tive que tirá-lo das lojas
quase arrastado, porque não tinha mais onde colocar as compras.
Voltamos ao hotel e fomos jantar para recuperar as energias
gastas no dia de hoje.
Amanha será a véspera da prova, então pela manhã tem pedal leve
e depois apenas descanso.
Abraço,
Márcio Padilha.
05/07/2008
- Ciclista
prateado
"Hoje
acordamos bem cedo para dar o último giro antes da prova.
Fomos os primeiros do grupo a tomar café da manhã e
saímos de bike logo em seguida em direção a Lourdes,
em uma ciclovia muito linda. Havia ciclistas, corredores,
patinadores, pessoas pescando ao longo do maravilhoso
rio que margeava a ciclovia e que nos proporcionava
um visual espetacular.
Retornamos após 30 km e fomos (de van) fazer o reconhecimento
do percurso ao Cul du Tourmalet, montanha mais alta
e mais difícil do trecho que vamos pedalar amanhã. O
grupo inteiro está cada vez mais ansioso, afinal estamos
a poucas horas do início da prova, e treinamos muito
nos últimos seis meses para isso.
Passamos o dia em dieta rica em carboidrato, almoçamos
muita pizza. O motorista da van não poderia ser outro:
Simão Addad, tendo como co-piloto eu mesmo: Márcio Padilha.
Foi literalmente uma aventura (não deixem de ver as
fotos!).
Como “passageiros”, tínhamos o Luis Fernando, a Carmem,
o Urbina, o Léo (que não se chama Léo - é uma longa
historia) e o João, um catarinense que foi nosso GPS.
Iniciamos a subida em uma estrada entre duas montanhas,
um vale simplesmente divino. Após 10 km de subida a
20 km/h , o Urbina e o Léo estavam tão enjoados por
causa das curvas, que só não paramos porque não havia
acostamento. A estrada era muito estreita e cada curva
dava pânico por causa do precipício ao lado do carro.
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Clique
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À medida que nos aproximávamos do pico que fica a 2.114
mts de altitude, a temperatura abaixava e ficava com uma
sensação térmica insuportável. Cruzamos com vários ciclistas
pela estrada, a energia naquele lugar é contagiante. Tudo
e todos ao redor desse morro giram em torno do ciclismo.
O monumento do Tourmalet é um ciclista prateado no ponto
mais alto da montanha - claro que lá ficamos mais de uma
hora tirando fotos e comprando algumas lembranças para
os amigos, em especial para o Tosca, que como não pode
vir nesta viagem, demos um jeito para que ele estivesse
presente pelo menos nas fotos do maior desafio desta aventura.
A sensação de estar lá é simplesmente a de que você chegou
ao céu, de tão alto. Ficamos acima das nuvens (vejam as
fotos se ainda não viram).
Depois do reconhecimento, voltamos ao hotel, onde arumamos
as bikes no trailer e os acessórios para a grande prova
de amanhã. O jantar foi servido às 20h e agora é hora
de dormir para o tão esperado LETAPE DU TOUR, França 2008.
Boa sorte a todos!! Pelo jeito amanhã o dia vai ser EXTRAORDINÁRIO!!"
Márcio padilha e Simão Addad |
06/07/2008
- Mar de Ciclistas
| Acordamos
às 4:00h da manhã, depois de uma noite de sono conturbada.
A adrenalina já tomava conta de todos nós, afinal
estávamos prestes a participar do Letape du Tour,
um grande sonho se tornava realidade.
Levamos uma hora de viagem até chegar ao local da
largada, montamos as bikes e lá fomos nós para a
largada.
A chuva e o frio não deram trégua para ninguém.
Estava garoando o suficiente para deixar qualquer
um molhado. |
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Apenas
uma palavra representa o que vimos: INACREDITÁVEL.
Um mar de ciclistas com um mesmo objetivo: percorrer
a etapa do Tour de France - 165 quilômetros com
duas montanhas famosas, a Col du Tormalet e Hautacam.
Por todos os lados, ciclistas do mundo inteiro.
Queria muito conseguir descrever para vocês a dimensão
disso ao vivo e a cores, estar presente nessa aventura,
ali, no meio dessa grande festa. Realmente é uma
experiência ímpar.
|
| A
organização foi impecável. Ao todo foram 9.500 ciclistas.
A cada 15 minutos, mil ciclistas largavam, sucessivamente.
Largamos todos juntos e a cada quilômetro cada um
foi achando o seu ritmo – o que é natural que aconteça.
Alguns atletas muito afobados aceleram mais do que
estão acostumados e no final pagam um preço por
isso. Claro que comigo também não foi diferente,
mas depois de 2 horas de corrida comecei a economizar
energia, afinal ainda tinham duas montanhas e mais
de 100 quilômetros pela frente.
Durante a competição, milhares de pensamentos passavam
pela minha cabeça: tudo o que passei para chegar
até aqui, os treinos, o tempo dedicado para poder
chegar ao final deste desafio, os amigos que treinaram
junto comigo e me deram incentivo e dicas para poder
completar a prova, os treinos às 5 da manhã, a paciência
da esposa, a família que apoiou desde o início,
os vídeos que assistia sobre o Letape du Tour e
o Tour de France dos anos anteriores, as fotos das
montanhas que iríamos percorrer, TUDO veio no pensamento,
literalmente.
O que vi durante as oito horas de competição foi
emocionante. Cada um dos 9.500 ciclistas com suas
histórias, seus desafios e estratégias, sonhos e
frustrações é realmente incrível.
Conheci um grupo de 5 amigos ciclistas que tinham
em média 55 anos de idade e todos os anos eles fazem
essa etapa juntos. Sem dúvida, se fôssemos conhecer
todos os participantes teríamos milhares de histórias
como essa para contar.
A competição esse ano foi desumana, pois o frio
no alto das montanhas estava abaixo de 0 grau, e
com a velocidade atingida nas descidas, que chegava
aos 60 a 70 km/h, essa sensação térmica diminuía.
A chuva fina durante 95% da prova e a neblina que
estava presente em grande parte dos 160 quilômetros
tiraram um pouco do glamour e do visual da competição.
Muitos participantes não completaram a prova por
diversos problemas. Uns por causa do equipamento
que não agüentou, outros porque não treinaram direito
e alguns que chegaram ao estado de hipotermia. O
Simão, em um momento, teve que ir ao posto médico
porque não sentia os dedos dos pés, mas logo estava
de volta, bem o bastante para chegar entre os primeiros
600 colocados. Quando o frio apertou, eu não pensei
duas vezes: parei em uma tenda e comprei uma meia
e uma luva de esqui para suportar tanto frio. Cheguei
na 1.132ª posição da categoria.
Na parte final da prova o cansaço é inevitável e
nesse momento o psicológico é fundamental para que
você não desista. Nessa hora, tenho certeza de que
a grande maioria dos participantes pensa nos valores
e nas pessoas que o ajudaram a chegar até aqui.
No meu caso são várias pessoas que contribuíram
para que esse sonho se tornasse realidade e, a cada
pedalada para chegar ao final da prova - que termina
no topo do Hautacam - cada uma dessas pessoas estavam
presentes nos meus pensamentos, me empurrando para
o topo da montanha. A
competição é uma aventura única. Passa por diversas
cidades do interior da França, você conhece pessoas
de diferentes partes do mundo.
A França é o país do ciclismo. Durante todo o percurso,
milhares de pessoas ficam na beira da estrada te
incentivando, dando apoio e suporte caso precise
de alguma coisa, contrariando a fama de que os franceses
são pouco solícitos. Há ainda a energia e as palavras
de incentivo que os próprios atletas falam para
aqueles que estão nas últimas, quase desistindo
ou empurrando a sua bicicleta até o final da prova.
O grupo do Brasil em geral foi muito bem. Quase
todos completaram a prova, alguns tiveram problemas
e não conseguiram, mas isso pouco importa, estar
aqui, participar desta aventura e tentar vencer
esse desafio já é válido.
A experiência foi realmente incrível. Estou muito
feliz por tê-la vivido e pelos amigos que pude fazer
graças a ela.
Agradeço a todos que acompanharam essa aventura
aqui pelo site e, de uma maneira pessoal, puderam
torcer e mandar uma energia positiva para que Eu
e o Simão chegássemos ao final desta aventura. A
lição desta aventura, pra mim, é que se você sabe
aonde quer chegar, dedique sua energia e tome as
atitudes necessárias para que isso aconteça. E,
se por algum motivo, as coisas não forem como você
planejou, tenha um plano B e muita paciência, mas
não desista (essa é especial para a Air France).
Márcio Padilha |
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Fala
galera!!
Vocês não têm noção de como eu estava emocionado
na prova, principalmente no último terço dela.
Vou fazer um resumo: largada impresionante. NUNCA
na minha vida vi tanto ciclista. Tráfego de ciclista.
Eram 9500 incritos, mas devido ao mau tempo, apenas
8550 largaram. Chuva, chuva e mais chuva, do início
ao fim da prova. Para vocês terem uma idéia, não
tirei meu casaco de chuva hora nenhuma. |
Logo
na largada, o Cleber Anderson e eu, saímos feito
uns loucos, passando tudo e todos, afinal meu
nº era 4845 e nossa baia era dos numerais de 4001
a 5000. Portanto, tinham mais ou menos uns 5000
ciclistas que largaram na nossa frente (mesmo
porque ficamos posicionados no meio da baia).
Logo em seguida, com 32,5 km, o Cleber quebrou
e disse para eu ir... daí em diante, fiz meu ritmo
(FORRRRRRRRRTE, para variar) e encontrei um tiozinho
local de mais ou menos 60 anos (que vergonha),
mas o tiozinho e eu trocamos roda por mais uns
20 km. Foi quando formou um pelotão de 50 a 60
ciclistas. Fechei os 90 km iniciais com 35 km/h
de média. Na subida do Tourmalet, foi demais!
Foi quando coloquei meu fone e comecei a curtir
uma música. Daí, passei a rir de tudo e de todos,
passavam os ciclistas e eu ficava olhando bem
na cara deles e eles não entendiam nada, pois
todos sofriam e eu estava rindo. Acho que rindo
de feliz de estar ali, conseguindo cumprir meu
objetivo. Teve uma hora que bateu uma saudade
do meu pai e comecei a chorar... chorei pacas
e depois voltei a rir.
A 4 km do topo, tinha uma abastecimento de água
e comida. Parei, peguei água e quando fui pegar
comida do outro lado, FERROU. Não conseguia andar,
pois não sentia os dedos dos pés. Resolvi ir ao
posto médico e troquei minha meia (havia levado
duas). Coloquei meia seca, um saco plástico por
fora da meia e a sapatilha encharcada - meio improvisado,
mas deu certo, porque devia estar zero grau lá
em cima e ainda vinha a descida, quando a sensação
térmica muda.
Desci o morro com cautela, não sentia muito os
pés nem as mãos. Sem contar que os precipícios
eram muito perigosos .
Foi formado um pelotão no final e fui até o início
do Hautacan nele. A um km do início, senti uma
fisgada na coxa, mas fui para trás no pelote para
não fazer mais força.
Na
última subida, o cansaço tomou conta. Morri, pensei
em parar várias vezes, mas não poderia, pois eu
cobrava de mim mesmo pelo tanto que treinei horas
e horas na bike. Aí o jeito foi criar um ciclista
fantasma (mas isso foi involuntario, depois que
percebi isso). Eu pensava que tinha um cara que
queria me passar e que eu não podia deixar. Direto
eu olhava para trás, para ver se ele estava se
aproximando, via 100 cilistas, menos esse "ghost".
No último km, veio uma força do além, e saí de
8 a 9 km/h para 12 a 13 km/h... acelerei forte.
Quando atravessei a linha de chegada, desabei
a chorar, chorar e chorar. Doida demais a sensação...
Lembrei
demais do Tosca, tenho certeza de que ele estava
lá comigo, senti isso... foi demais !!!!!!
Ufa, quanta coisa!
Abraço,
Simão
Addad
P.S.:
De rebarba, fui o melhor brasileiro colocado do
grupo, terminei o percurso em 6 hs e 47 min, 224
na categoria e 642 na geral... será que passei
gente?????!!!!!!!!! rssssss..
É
NOISSSSSS!!!!!!!!!! |
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